segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Há 30 anos...


O filho mais novo da Dona Josefa e do Seu Natalício era um menino arteiro que colocava esparadrapo na campainha do vizinho e depois corria. Sua infância foi bem feliz e digo isso não com a certeza de quem estava lá, mas com a convicção de quem admirou olhos que brilhavam com recordações. O menino que já não era mais José ganhou da vida responsabilidades de adulto. Começou a trabalhar jovem e cedo precisou aprender a lidar com a dor de uma perda e o fascínio de gerar vidas. Trabalho muito, dinheiro pouco, uma família. O menino cresceu. Nessa hora em que olho tudo que construiu e a vida que levou, tem um sentimento que sempre me invade: orgulho. Orgulho de um menino que soube sorrir em dias frios. Orgulho de uma fruta que esteve ao lado de muitas outras podres e se manteve bela, sadia, intacta. Orgulho da pessoa que prefere dar do que receber. Orgulho do sorriso que surge intenso e lindo ao ver o sorriso do outro. Orgulho de quem sempre insistiu em ser correto, de quem preferiu ser íntegro à ganhar muito dinheiro. Orgulho de quem sempre trabalhou com dignidade e verdade. Orgulho de quem criou as filhas sem luxo, mas com valores. Orgulho de um profissional que há 30 anos trabalha com integridade e que recebe diariamente a melhor homenagem que ele poderia desejar: a de seu público. Pai, você pode não ter tido uma festa glamourosa em comemoração aos trinta anos de jornalismo. Mas eu tenho uma certeza que você também tem: a de que as pessoas que valem a pena não estão fazendo outra coisa senão batendo palmas para você. Eu nunca vou cansar de aplaudir. (A imagem é o convite para comemoração de um ano de Biba. Mino ilustrou Neno como personagem de uma revista que é uma verdadeira paixão para ele)
Texto: Marcela Cavalcante

5 comentários:

Caminhando e cantando disse...

o belo texto é de autoria dum dos meus maiores amores, marcela cavalcante mourão. ela disse que irá deletar amanhã, mas não vai não, vai não, vai não.

Beto Veiga disse...

Eu acho que estou ficando velho. Eu que vi tudo começar e que comecei a ter contato com comunicação com este jornalista que é algo de brilhante, de íntegro, de raro.
Meus parabéns pelos trinta anos que parecem que nem passaram.
Beijão do Beto

Lua disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lua disse...

Ah, e qualquer um pode flagrar o filho da dona Josefa e do Natal e pai de Marcela, Lina e Reis Neto (este piada interna) fazendo brincadeiras do tipo durex na campainha alheia, mesmo depois dos 30 anos de jornalismo. Todo Diário é testemunha das travessuras do menino Neno. Salvo pelo bom-humor. Sem a menor dúvida, um grande marco no jornalismo. Te amo, pai

Lua disse...

Muito brilho nos 30 anos do grande-mestre-soberano-salve-salve Neno. São os votos da ZULEICA