
O filho mais novo da Dona Josefa e do Seu Natalício era um menino arteiro que colocava esparadrapo na campainha do vizinho e depois corria. Sua infância foi bem feliz e digo isso não com a certeza de quem estava lá, mas com a convicção de quem admirou olhos que brilhavam com recordações. O menino que já não era mais José ganhou da vida responsabilidades de adulto. Começou a trabalhar jovem e cedo precisou aprender a lidar com a dor de uma perda e o fascínio de gerar vidas. Trabalho muito, dinheiro pouco, uma família. O menino cresceu. Nessa hora em que olho tudo que construiu e a vida que levou, tem um sentimento que sempre me invade: orgulho. Orgulho de um menino que soube sorrir em dias frios. Orgulho de uma fruta que esteve ao lado de muitas outras podres e se manteve bela, sadia, intacta. Orgulho da pessoa que prefere dar do que receber. Orgulho do sorriso que surge intenso e lindo ao ver o sorriso do outro. Orgulho de quem sempre insistiu em ser correto, de quem preferiu ser íntegro à ganhar muito dinheiro. Orgulho de quem sempre trabalhou com dignidade e verdade. Orgulho de quem criou as filhas sem luxo, mas com valores. Orgulho de um profissional que há 30 anos trabalha com integridade e que recebe diariamente a melhor homenagem que ele poderia desejar: a de seu público. Pai, você pode não ter tido uma festa glamourosa em comemoração aos trinta anos de jornalismo. Mas eu tenho uma certeza que você também tem: a de que as pessoas que valem a pena não estão fazendo outra coisa senão batendo palmas para você. Eu nunca vou cansar de aplaudir. (A imagem é o convite para comemoração de um ano de Biba. Mino ilustrou Neno como personagem de uma revista que é uma verdadeira paixão para ele)
Texto: Marcela Cavalcante