quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Pra refletir


a) Nunca pense que é superior pelo fato de ter passado a perna em alguém, de ter furado uma fila, de ter levado vantagem em prejuízo de terceiros. Faça um exame de consciência e constatará que se necessita de tais artifícios, você na verdade é infinitamente menor do que aqueles a quem precisou enganar, ludibriar.
b) Ao descer do transporte coletivo, o passageiro não deve jamais atravessar pela frente do veículo e sim pela parte detrás. Seguindo na dianteira do ônibus, você não conseguirá visualizar se vem carro, ao mesmo tempo em que impede que os demais motoristas o enxerguem.
c) Procure não guardar mágoas nem rancores. Se não o fizer pensando nos outros, faça por você mesmo. Preservar maus sentimentos não engrandece ninguém.
d) Existem pessoas que saem por aí tentando resolver todos os problemas do mundo, mas esquecem de quem está próximo delas. Que tal começar a praticar o bem ao redor, para depois prosseguir?

Descaso etc. e tal


Todos os anos algo em torno de 100 mil pessoas contraem a tuberculose no Brasil, com seis mil óbitos. Voltou-se a falar em tuberculose no País em 1995. A doença havia sido praticamente erradicada até o ano anterior, mas foi bastante Fernando Henrique Cardoso tomar posse como presidente da República para o mal recrudescer. Certa vez, um especialista da Organização Mundial de Saúde para a campanha contra a tuberculose, Mário Raviglione, declarou o seguinte: ´Se continuarmos no ritmo que estamos, levaremos séculos para eliminar a doença´.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008



Espanta-me (e me envergonha também) ver pessoas de razoável a boa condição financeira resmungando diante da caixinha de Natal que funcionários de lanchonetes, bares, cantinas e outros comércios colocam no balcão com o propósito de comprarem um mimo de fim de ano. Deus do Céu! O que custa dar um pouco a quem nos atendeu com distinção durante o ano inteiro?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Surrealismo


Conhecido meu foi ao Bradesco, onde mantém conta-salário, solicitar um empréstimo, que foi concedido, com a condição de ele comprar um título de capitalização. Desabafou: ´Ora, se fui em busca do empréstimo, é por motivo de estar descapitalizado e precisando de dinheiro para regularizar minhas contas e não para fazer investimento´. Os bancários são forçados a chantagear.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

“É...” de novo


Nos bastidores das redações de jornal, há uma historinha recorrente, que costuma voltar à baila quando algum colega anuncia a celebração de seus 20, 30, 40 anos de jornalismo. Diante da notícia da efeméride, quase sempre acompanhada de uma festa ou de outro tipo de homenagem, uma figura experiente se impressiona: ´Nossa, Fulano já tem 40 anos de jornalismo! E eu, quantos será que tenho?´. Ao que um interlocutor responde: ´De jornal, eu sei que são muitos anos. Mas de jornalismo...´.

A lembrança vem a propósito dos 30 anos de jornalismo - não apenas de jornal, ressalte-se - de José Nairton Quezado Cavalcante. O nome na carteira de identidade pode não soar conhecido a muitos, e o próprio homenageado do encontro de amanhã, às 17h, no Ideal Clube, reconhece que não conseguiu, conforme o registro de batismo, encontrar combinação que o satisfizesse para a assinatura. A solução foi dada pelo amigo Guto Benevides, que uniu o apelido de infância ao derradeiro sobrenome. Ficou, assim, Neno Cavalcante. Hoje sinônimo, no Ceará, de jornalismo opinativo com personalidade em conteúdo e forma - seja nas notas breves de sua coluna diária no Caderno 3, ou nos ´drops´ entremeados por vinhetas de seu ´Teveneno´, na TV Diário.

Em comum a ambos, a verve irônica, o gosto pela crítica, o diálogo com o leitor/espectador. Tudo permeado pelo humor bem cearense, responsável pela consagração de bordões hoje indissociáveis da fala do povo. ´Indissociáveis´? ´Ihiii!!! É o novo!´.

Um olhar em perspectiva sobre esses 30 anos de dedicação ao jornalismo está agora disponível em forma de livro. ´Era...´, que tem lançamento amanhã, reúne notas publicadas por Neno Cavalcante com relação ao 30º aniversário de batente. ´Na verdade, agora são 31 anos, porque passei exatamente um ano depois do aniversário, a partir de 13 de agosto de 2007, publicando essas notas, lembrando os 30 anos´, detalha, em papo na redação do Diário, deixando momentaneamente o cantinho onde elabora sua coluna - e de onde literalmente recorre ao soprar de um apito para clamar por silêncio, diante das ´gaitadas´ e conversas em alto volume por parte dos colegas. Inclusive deste redator.

´Foi um ano que passou muito rápido, em meio a tantas lembranças. Quando comecei a publicar essas notas sobre os 30 anos, uma coisa foi puxando outra, as pessoas me lembravam histórias, muita coisa foi surgindo´, acrescenta, sobre a novidade nas colunas, que acabaria por suscitar a idéia da publicação em outro formato. ´O Humberto Cavalcante, presidente do Ideal, me perguntou se eu não pensava em lançar um livro. Eu disse que não tinha essa pretensão. Mas ele insistiu: ´Por que não colocar no livro essas historinhas?´´.

Memórias em croniquetas

Provocação aceita, o resultado são as páginas de ´Era...´, trazendo em notas curtas - ou ´croniquetas´, no gênero apontado pelo professor do Curso de Comunicação Social da UFC Ronaldo Salgado, editor do livro, ex-colega de redação e eterno amigo de Neno, para os textos com os quais o colunista compõe um mosaico de memórias, histórias, opiniões, observações. Quase como um bate-papo oferecido ao leitor, em páginas que rapidamente escorrem pelo olhar - com algumas gargalhadas pelo caminho.

´Reuni as notas que achei mais engraçadas, ou importantes, se é que posso usar esse adjetivo, e acrescentei outras que não tinham entrado no ´período curricular´. Também adaptei um pouco a linguagem pro livro´, diz Neno, que não tem dúvida ao indicar como sua coluna mais importante a publicada após o cerco de policiais a trabalhadores rurais sem-terra, na avenida Bezerra de Menezes, em Fortaleza, em dezembro de 1997. ´Fiz a coluna inteira sobre aquele verdadeiro massacre, e teve uma repercussão muito grande. Foi um episódio muito triste, a polícia pisoteando até os alimentos que os moradores haviam doado, solidários com aquela gente desafortunada´, recorda, para resumir o princípio em que procura balizar sua atividade. ´O jornalismo tem que visar ao bem coletivo, não pode atender a interesses individuais ou de grupos. Você pode até trazer algo que aconteceu com você, mas desde que haja um sentido coletivo, de você falar de algo que afeta outras pessoas também´.

Consciência presente, segundo ele, desde seu início no jornalismo, em agosto de 77, atendendo a convite do irmão, Lúcio Brasileiro, a quem já secretariava no jornal O Povo, para fazer uma coluna sobre ´jovem sociedade´. Em ´Era...´, Neno revela ter hesitado, antes de aceitar a proposta. ´Isso decididamente não tinha nada a ver comigo. Conversei com o meu amigo Maneco (Emmanuel Carvalho Lima, grande sujeito) e ele sugeriu: ´Faça do jeito que ele quer e depois vá impondo o seu estilo´. Peguei corda e já de saída fiz meio a meio´.

Um ano e meio depois, uma outra experiência: a de assessor parlamentar, integrando a equipe do deputado federal Paulo Lustosa. ´A ida pra Brasília me fez passar por um processo de politização maior. Ainda peguei o Congresso em um nível mais alto que o de hoje´, compara, admitindo que a experiência lhe serviu de base para as constantes ´cutucadas´ a parlamentares, já na coluna diária ´É...´, que ele assumiria a convite de Maurício Xerez, aproveitando a sugestão de Ubaldo Solon para batizá-la em referência à famosa peça de Millor Fernandes. E tome ´Vereador, por que o senhor é desse jeito?´. Ilustrando passagens desses 30 anos, entre figuras da política (destaque para Leonel Brizola), da música (de Fagner a Manassés e Alex Holanda), do esporte (de Gildo e Reinaldo a Sérgio Redes e Garrincha), ´Era...´ convida à retrospectiva de uma trajetória que, a depender de seu protagonista, ainda promete muito mais.

30 ANOS
"Era..."
Neno Cavalcante
R$ 30,00
184 páginas
2008
Arte Visual

DALWTON MOURA
Repórter

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Agentes do mal


É muito fácil identificar os membros da mídia que estão a serviço do grande capital especulativo. Com discurso unificado, eles defenderam intransigentemente as privatizações nos países em desenvolvimento (na matriz, nem pensar). Criticam aumentos para os aposentados e pensionistas (´vai quebrar a Previdência´) e também do salário mínimo (muitas empresas não suportarão), mas silenciam diante do desembolso anual de mais de R$ 200 bilhões de juros relativos a dívidas que já foram pagas várias vezes. Insistem que a seguridade social é deficitária, fazendo nitidamente o jogo sujo dos que querem abocanhar o sistema.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008


A praga da roubalheira no serviço público do Brasil é ainda mais destruidora do que se imagina. Estou me referindo aos filhos dos políticos desonestos, que dificilmente serão diferentes. O pai normalmente ensina aos filhos aquilo que ele próprio é. E no caso do político corrupto vai dizer que o certo é se dar bem na vida, bonito é passar a perna nos outros, levar vantagem em tudo, vencer não importando os meios.