segunda-feira, 12 de novembro de 2007

De ídolo a herói


Depois de Gildo (Fernandes de Oliveira), meu maior ídolo em futebol foi Reinaldo, do Atlético Mineiro e da Seleção Brasileira. Certa vez, em um sítio nas imediações de Messejana, Fagner ofereceu um churrasco aos jogadores que aqui vieram a seu convite para uma ilustrada ´pelada´ no Castelão. Lembro-me bem de Reinaldo, Éder e Sócrates. O sítio tinha uma pequena piscina, quase um tanque. Fui me refazer com o banho e aproveitei para nadar um pouco por baixo dágua. Calculei mal a distância e fui de testa no azulejo. Com o choque, desmaiei e afundei. Não havia chegado o meu dia. Reinaldo chegou no exato momento, nenhum segundo a mais, nenhum minuto a menos, me viu no fundo da piscina e rapidamente mergulhou, salvando a minha vida.

Na imagem: Sócrates, Reinaldo, Mino, eu e Fagnólia

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

De música e amigos, dois tempos.


1 - Em 1987, o correto homem público pernambucano Marcos Freire morria em acidente aéreo no Sul do Pará. Logo pensou-se em sabotagem, porque Freire estava determinado a fazer a reforma agrária que até hoje ´tartarugueia´. Veio a versão de que o acidente havia sido provocado por um passarinho. Nota que dei na ´É...´ : ´O poeta Fausto Nilo teve premonição ao escrever ´Lua do Leblon´, música de Lisieux Costa: ´Mas há um pássaro que vence um avião/ por quem Picasso explodiu seu coração´... Certa vez, segunda metade dos anos 90, consultei Fausto sobre a possibilidade de ele colocar letra em uma melodia minha. Eis a resposta: ´Você é meu amigo, mas vai ter que entrar na fila como todo mundo´. Fausto foi justo, mas como tenho total aversão a fila, embora faça questão de respeitá-la, a música acabou sendo gravada em CD instrumental, outra história.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

30 Anos


Certa vez estava com as mãos na cabeça: prazo final para entregar a declaração do Imposto de Renda e eu, incapaz de elaborá-la (todos são, afora, claro, os especialistas), cheio de trabalho e ainda com duas meninas pequenas precisando de minha orientação nas tarefas escolares, tive uma idéia luminosa: telefonar para o meu amigo Edilton Urano, craque na matéria. Pelo telefone mesmo fui passando as informações e o Edilton vinha de lá com os dados necessários ao preenchimento. Desconheço caso igual.

30 Anos


Primeira metade da década de 80. Havia um deputado estadual e coronel chamado Orzete Philomeno Gomes. Na época se discutia o restabelecimento das eleições diretas para presidente. Na página de Política do ´Diário´, saiu uma declaração de Orzete: ´Sou contra eleições diretas porque o povo não sabe votar´. Na Coluna É..., que ainda não era assinada, eu escrevi: ´É incrível, mas o deputado admite que o povo que o elegeu não sabe votar. E não deve saber mesmo´. No mesmo dia, o repórter da Editoria de Política Paulo Ernesto Serpa foi à Assembléia. O coronel Orzete o chamou à sala, pediu para a secretária sair, fechou a porta e perguntou quem havia escrito a nota, para fazer a pessoa engolir o jornal, enquanto amassava o exemplar em tom altamente ameaçador. Paulo Ernesto, formidável criatura, nada disse. Entanto, eu telefonei para o gabinete de Orzete e deixei o recado com a secretária: ´Diga ao deputado que a nota foi escrita por mim, Neno Cavalcante. E que eu estou todos os dias aqui na redação do ´Diário do Nordeste´´.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

De autor a personagem


Foi a publicitária Ângela Borges que me ensejou uma das amizades mais fascinantes, José Simão, o articulista do riso da ´Folha de S. Paulo´. No particular, o ´Macaco´ que faz o Brasil inteiro rir com suas tiradas geniais, é uma criatura indignada com as desigualdades e as injustiças sociais. Na semana passada, publiquei uma das duas referências que ele me fez. Agora, a outra: ´Como diz o Neno Cavalcante lá do Ceará, NÃO ME PERGUNTEM ONDE VOU PASSAR O CARNAVAL´! Os leitores entupiram o e-mail do Simão com essa pergunta. Grande curtição.

Por vezes vi jornalista metido a auto-suficiente dizer que não precisa da Revisão. Talvez seja o que mais necessite. Fazer pouco caso da Revisão e até cometer injustiça com esses dedicados profissionais é até hoje prática de alguns desavisados. Estou noutra. Minha relação com os revisores sempre foi de respeito e camaradagem. E acima de tudo humildade quando corrigido. Do comecinho lembro-me do Segundo (Francisco Gomes), mas convivi com muitos outros que passo a citar me penitenciando por eventual omissão: Francisco Garcia, Vânia Monte, Lucia Coelho, Socorro Cunha, Vessilo Monte (além de revisor, conselheiro intelectual), Macedo, Eduardo Solon, Chico Carvalho, Marcos Castelo, além da maravilhosa jornalista e professora Eleuda de Carvalho e o agora premiado escritor (biógrafo) Lira Neto. Minha coluna não passa mais pela Revisão. Talvez por isso eu tenha recentemente acentuado indevidamente a expressão ´aversão à fila', pelo que agora peço desculpas.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Mestre e Amigo


Dedé de Castro estava um dia na chefia de Reportagem (ele é editor de Pautas, o melhor pauteiro que conheci) quando de repente entra na redação um homem parrudo, cara de nenhum amigo, soltando fogo pelas ventas. Bradava que iria processar o jornal por o haver acusado de receptar carros roubados, segundo ele uma inverdade, pois não sabia que eram produto de roubo. Dedé, corpo franzino, mas com uma força interior de gigante, disse: ´Nenô, vou até lá ver o que aquele cabra quer´. Grosseiramente, o homem disse de sua ira. E Dedé fez-lhe uma pergunta: ´Qual a sua idade, cavalheiro´? - Trinta e cinco, respondeu. ´E quantos carros o senhor comprou, sem saber que eram roubados´? - Dezesseis. E Dedé fulminou: ´Engraçado, eu tenho 60 anos e nunca me foi oferecido um só carro roubado. No entanto, ao senhor, que tem apenas 35, ofereceram 16´... Murcho, o sujeito abaixou a cabeça e saiu pela mesma porta por onde jamais deveria ter entrado.